Seleção da Dani #1 | De Slipknot a “Kiss Me”: quem deixou essas músicas na mesma playlist?

Oi, eu sou a Dani.
Pensando nas editorias d’O Papo é Rock, eu sugeri as Seleções de cada um para que a gente não perca a essência de quem somos no meio de tanta divulgação. E também para sermos o mais honestos e abertos possível, porque talvez você, leitor, se identifique com a forma como cada um de nós escuta música.
Mas eis que chegou a hora de fazer a minha Seleção.
E eu fiquei aqui quebrando a cabeça sobre o que escrever.
Até que comecei a me questionar: se uma pessoa qualquer pegasse a minha playlist, aquela que eu criei para mim e que também se chama Seleção da Dani, o que ela poderia inferir sobre mim?
Quem é a Dani a partir do ponto de vista das músicas que ela escuta?
Achei forte. E assustador.
Então pedi ajuda à IA.
Se um dia ela acabar, pelo menos vai poder tocar fogo com um fundo musical coerente. Rsrs. Brincadeira.
O resultado foi curioso. Segundo ela, eu não sou “purista”. O rock é o centro, mas eu teria organizado tudo mais por afinidade sonora e sensação do que por gênero.
Fiquei pensando nisso porque... não é assim com todo mundo nas suas listas pessoais?
A gente pode até dizer que gosta de rock, metal, pop, blues ou qualquer outra coisa. Mas quando a playlist é realmente nossa, aquela que ninguém pediu para montar e que não precisa provar nada para ninguém, a lógica costuma ser outra. Entra aquilo que a gente gosta de ouvir. E pronto.
Na minha, o rock é mesmo a espinha dorsal. Tem metal, grunge, alternative, hard rock, punk. Mas também tem Mama Cass, Etta James, Cat Power e Sixpence None the Richer. Tem Muddy Waters, John Lee Hooker e Hendrix. Tem Slipknot, System of a Down, Audioslave, Queens of the Stone Age, Foo Fighters, The Offspring, Green Day, No Doubt, Muse, Pearl Jam.
E tem coisas que, olhando de fora, talvez não parecessem caber muito bem juntas.
Só que cabem.
Outra conclusão da IA foi que os anos 1990 e 2000 são provavelmente meu território afetivo mais forte.
Essa eu aceito sem muita discussão.
Foi o período em que eu mais construí repertório musical. Foi quando muita coisa que ainda faz parte da minha forma de ouvir música entrou na minha cabeça e ficou. Não significa que eu só escute música dessas décadas. Pelo contrário. Talvez seja justamente por ter começado a montar esse repertório ali que eu tenha ido para trás, descobrindo de onde vinham aquelas guitarras, aqueles riffs, aquelas referências.
Muddy Waters, John Lee Hooker, Etta James, Hendrix, Blue Cheer, ZZ Top, Fleetwood Mac. Depois Soundgarden, Pearl Jam, Audioslave, QOTSA. E, em algum lugar desse caminho, tudo começa a fazer sentido.
Outra coisa que a IA falou e que eu reconheci imediatamente foi: “Você gosta muito de guitarra, mas não necessariamente de virtuosismo.”
Taí uma coisa que eu concordo.
Eu gosto de guitarra que tem identidade. De riff que você reconhece em dois segundos. De timbre. De groove. Daquela guitarra que não precisa mostrar tudo o que sabe para ser inesquecível.
Talvez por isso algumas músicas da minha playlist tenham uma coisa em comum mesmo quando estão em extremos completamente diferentes.
“Walk”. “No One Knows”. “Original Fire”. “Supermassive Black Hole”. “Sharp Dressed Man”. “Breaking the Law”. “Thunderstruck”.
Porque são músicas que têm uma assinatura.
E aí veio a parte que mais me chamou atenção: “Existe uma dualidade enorme entre peso e vulnerabilidade.”
Dualidade deveria ser meu sobrenome.
Porque, sim, na mesma playlist em que aparecem “Toxicity”, “Walk” e “Enter Sandman”, estão “Vermilion, Pt. 2”, “Snuff”, “Sea of Love”, “Pictures of You”, “Don't Speak” e “Kiss Me”.
Eu posso querer uma música que me faça aumentar o volume e, cinco minutos depois, querer uma que me deixe quieta.
Talvez seja justamente aí que eu perceba que a playlist não precisa ser coerente para fazer sentido.
A IA também observou que eu escolho muito mais músicas do que artistas. E essa talvez seja uma das coisas que eu mais gostei de perceber.
Slipknot aparece com “Vermilion, Pt. 2” e “Snuff”, e não necessariamente com as músicas que alguém escolheria para representar a banda de primeira. System of a Down aparece com “Toxicity”, mas também com “Roulette”. The Offspring tem “Come Out and Play”, mas também “What Happened to You?”.
Porque talvez uma playlist pessoal seja menos sobre declarar quem você é e mais sobre revelar o que te pega.
Um riff. Uma voz. Uma letra. Uma lembrança. Uma sensação que você nem sabe explicar direito. Uma música que você ouviu cem vezes e continua funcionando. Uma que apareceu por acaso e ficou.
E talvez seja por isso que a minha playlist possa ir de “I'm Your Hoochie Coochie Man” a “Kiss Me”, de “Walk” a “Sea of Love”, de “Fogo nos Racistas” a “Pour Some Sugar on Me”, de “Snuff” a “Boom Boom”.
No fim, talvez a IA tenha acertado em uma coisa que eu não tinha pensado antes: eu não escuto música para seguir uma regra. Eu escuto porque alguma coisa naquela música me provoca.
E, olhando para a Seleção da Dani agora tô na dúvida se ela faz sentido. A parte boa é que estou sempre atualizando, porque nessa lista cabe muito mais.




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